segunda-feira, 23 de junho de 2014

Resenha - O Festim dos Corvos - George R. R. Martin



Título: O Festim dos Corvos
Título Original: A Feast Of Crows

Autor: George R. R. Martin
Série: As Crônicas de Gelo e Fogo
Título Original: A Song of Ice and Fire
Gênero: Fantasia/Literatura Estrangeira
Editora: Leya
N° de Páginas: 644

O Festim dos Corvos é o quarto volume da série fantástica “As Crônicas de Gelo e Fogo”, de George R. R. Martin, o livro narra a história de uma parte dos personagens presentes no livro anterior e nos apresenta a alguns outros. No geral a história se concentra mais nos conflitos de Porto Real, demonstrando o impacto da guerra no reino, como ela afetou os as pessoas tanto de elevado como de baixo nascimento. E é aí que notamos o que justifica o título “O Festim dos Corvos”, como a guerra ainda não acabou, apesar de neste livro estar mais para “guerra fria”, Westeros está praticamente uma terra sem leis, as estradas estão cada vez mais perigosas, ninguém confia em ninguém, e uma rápida viagem pelo reino é o bastante para se notar a carnificina não só decorrente à guerra, mas também obra dos fora da lei, que aproveitam da falta de guardas e cavaleiros para defender o povo, e matam por diversão, o que realmente gerou um farto banquete para os corvos do reino.

O livro conseguiu desenvolver ainda mais as tramas políticas sempre presentes na série, ou melhor, a narrativa foi quase toda política, o que ao mesmo tempo que agrega qualidade, as vezes cansa por não ter tanta ação como no volume anterior. Mas não se preocupe a ação está lá, sempre podemos contar com a colaboração da nossa amiga Brienne de Tarth. Outro ponto que acabou valorizando ainda mais a trama da história foi o foco maior que a religião teve nesse livro, algo que antes era tratado como trivial acabou influenciando muito na narrativa dessa vez, e isso ocorreu de uma forma muito real, bem pautado na história real do mundo mesmo. Pode-se dizer que praticamente existem templários nesse livro, mas não com esse nome, é claro.
O livro foi praticamente dominado pelo “casal” (destaque na palavra casal rs) Jaime e Cersei Lannister. Com a (feliz) trágica morte do rei Jofrey a coroa foi herdada pelo seu irmão mais novo Tommem, agora Rei Tommem, porem como ele é muito jovem para governar, o poder acaba sendo exercido pela rainha regente, Cersey Lannister, que é o ponto alto das “peripécias” políticas ocorridas nesse livro. E não importa quantos capítulos ela tenha nos livros, ainda é difícil (ou impossível) gostar dela, não que os capítulos sejam ruins, pelo contrário, eles são os mais divertidos do livro, ainda mais agora, como nesse livro ela tem o ponto de vista, nós não conseguimos ler somente o que ela fala, mas também o que ela pensa, e ela consegue ser ainda pior em pensamento, o que beira ao cômico as vezes. Enquanto ela fica se embebedando de vinho e poder em Porto Real, ironicamente Jaime, o Regicida, acaba assumindo a função de colocar o reino nos eixos, na medida do possível, é claro. Os capítulos dele não chegam a ser ruins, mas exceto pela capacidade de nos informar sobre alguns acontecimentos que deixaram de ser narrados desde a “A Tormenta das Espadas”, são alguns dos mais entediantes do livro.
O único foco de Brienne no livro (além de pensar/sonhar com Jaime) é em cumprir a promessa que fez a Catelyn e encontrar Sansa Stark e leva-la à um lugar seguro. Que lugar é esse? Nem a pobre donzela de Tarth sabe. Até um certo ponto os capítulos dela são chatos e parados, mas depois da primeira metade do livro ela, com o seu fiel escudeiro Podrick Payne, (e muito fiel, por sinal) conseguem trazer alguns dos únicos momentos de ação da narrativa.
Uma das personagens mais queridas pelo público em geral, e por mim mesmo, é a Arya Stark, neste livro nós continuamos a acompanhar o seu amadurecimento, que é algo que eu noto desde o primeiro livro da série, a forma com que as aventuras dela são trabalhadas dão a entender que ela vem sendo trabalhada e desenvolvida para algum fim, e agora no Festim dos Corvos ficou mais evidente. Ela está em Braavos e tem um novo mentor, como teve o pai, Syrio Forel, Jaqen H'ghar e o Cão de Caça, e podemos ver que todos ajudaram a formar a personalidade dela de alguma forma. Os capítulos dela são bem menos frequentes do que nos outros livros, e mesmo assim não têm nenhum ponto alto de destaque, mas ela continua sendo o tipo de personagem que não precisa de grandes acontecimentos para sustentar uma narrativa divertida.
Samwell Tarly é outro que também aparece nesse livro, porem com poucos capítulos, e com certeza são capítulos que o livro não carece de forma alguma, praticamente no decorrer de todo livro não acontece nada com ele. Os pontos fortes da historia dele só podem ser considerados fortes porque são atribuídos à ele mesmo, nada que chamaria atenção em outros personagens. (Achei que aquela viagem de barco não fosse acabar nunca, sofri mais que o Meistre Aemon)
Já Sansa Stark, não é mais Sansa, agora se chama Alayne e se mostrou dona de uma paciência sem limites(com o “passarinho” insuportável que ela toma conta) e uma maturidade que já era hora de aparecer. Ela está fingindo ser uma filha bastarda do Mindinho (Petyr Baelish), que agora é Senhor Protetor do Ninho da Águia, só que nunca ví pai e filha se beijando tanto. Apesar das investidas na pobre donzela ele acaba me surpreendendo mais ao final do livro com algo que, se for verdadeiro, pode trazer esperança para muitos fans da série (que ainda acreditam nos Stark).
Esse livro também nos apresentou a alguns personagens de Dorne e das Ilhas de Ferro, que ainda não tinham aparecido com capítulo próprio. Por um lado, para mim foi bom porque pudemos conhecer outras realidades das quais antes eram apenas comentadas, já por outro, não se mostrou tão interessante, porque não é fácil se distrair com capítulos de pessoas desconhecidas enquanto há tanto que queremos saber de outros personagens que já nos apegamos tanto.

Enfim, O Festim dos Corvos apesar de ser um banho de agua fria para quem acabou de ler a Tormenta de Espadas, continua sendo mais uma obra prima excelente do senhor George Martin, que mais uma vez surpreende com a forma que consegue criar com facilidade personagens com personalidades únicas e tramas políticas que se entrelaçam de certa forma que chega a parecer que seriam necessários outros cinco livros para se chegar ao final dessa história épica.


Nota

4 Baús

O Livro recebe 4 Baús porque segue o mesmo nível de qualidade dos livros anteriores da série, narrativa impecável, personagens carismáticos e história envolvente, porem tirei um baú porque os acontecimentos são muito lentos e ocorre pouco coisa dentro das inúmeras 644 páginas.

Obs.: Na verdade a narrativa do livro termina na página 586, pois ele possui um Apêndice bem longo no final para facilitar a identificação dos personagens e a que casas pertencem.


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