sábado, 2 de agosto de 2014

Resenha: A Culpa é das Estrelas - John Green

Título: A Culpa é das Estrelas
Título Original: The Fault in our Stars

Autor: John Green
Gênero: Ficção Juvenil / Young Adults
Editora: Intrínseca
Páginas: 288

Hazel é uma paciente terminal. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante - o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos -, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustos Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.

O Livro


A Culpa é das Estrelas é um livro de Ficção Juvenil, gênero também conhecido pelo termo em inglês I.A. (Young Adult ou seja, livros para "Jovens Adultos") que foi escrito por John Green, e esta obra foi a responsável por alavancar a um outro nível a carreira deste escritor que já estava em evidência há algum tempo. O livro fez um sucesso tremendo no mundo inteiro, e acabou ganhando uma adaptação para o cinema que, sem dúvida alguma, acompanhou o sucesso do livro. A história gira em torno do romance de dois adolescentes com câncer, e sem dúvida alguma sofreu bastante referência das experiências de John Green como estagiário em um hospital pediátrico.

O Autor


Se a carreira de John Green fosse representada em um gráfico, provavelmente o resultado seria muito similar com a imagem ao lado, com um desempenho crescente o autor conseguiu emplacar um Best Seller atrás do outro, e A Culpa é das Estrelas apenas ajudou a colocar John em uma posição cobiçada por muitos autores autores de sucesso. Mas esse sucesso não nasceu apenas devido aos livros, John também tem um canal no YouTube chamado Vlogbrothers, em que ele grava com o irmão diversos projetos super originais. Além disso ele desenvolve e colabora com diversos projetos sociais, sempre contando com a ajuda da legião de fans chamados de Nerdfighters.

A História


A Culpa é das Estrelas conta a história de Hazel Grace, uma garota de 17 anos que foi diagnosticada com câncer em estágio terminal. A princípio a vida dela se resumia apenas em ficar em casa assistindo televisão com seus pais, até que depois de muita insistência por parte de sua mãe ela passa a frequentar um Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Lá, depois de muitas horas de tédio ouvindo depoimentos de outras pessoas que passavam por situações parecidas com a dela, ela acabou conhecendo um garoto chamado Augustus Waters que estava em período de remissão do Câncer que resultou na amputação de uma de suas pernas. Augustus estava ali para apoiar o amigo Isac que em breve perderia o ultimo dos olhos que lhe restava para a "mesma doença que afligia os outros dois". E então somos apresentados à uma cena de "amor a primeira vista" entre Hazel e Gus, apesar de demorar um pouquinho para o namoro ser "oficializado".
E sim, apesar de o câncer ser sempre uma sombra presente no romance, nós somos apresentados à uma bela história de amor entre esses dois jovens, esta não é apenas uma história de pessoas doentes sofrendo. O drama é inevitável nessa narrativa, porém não é ele que sustenta a história.

Os Personagens


Grande parte do crédito da história não se basear apenas no sofrimento dos protagonistas se deve a qualidade dos personagens, John Green fez um ótimo trabalho nesse ponto. Mesmo passando pela situação terrível que é esta doença, e vivendo cada fase que ela os impõe, eles não se perdem no decorrer de "suas vidas" para o câncer. É óbvio que eles têm suas cargas de sofrimento e momentos de fraqueza, mas ambos repulsam ser definidos pela doença. 

Não podemos afirmar que Hazel é um "poço de gentileza", afinal ela sabe que tem muito pouco tempo de vida, dessa forma acaba ficando mais fácil para ela demonstrar a sua personalidade forte. Porém ainda assim uma de suas grandes qualidades, e o que mais se destaca nela, é o "AMOR", o amor que ela tem pelos seus pais e o que acaba desenvolvendo por Augustus. E isso acaba provocando nela um medo de criar vínculos, já que ela sabe que terá uma morte prematura, e não gosta de pensar naqueles que ela ama sofrendo no futuro, que já está traçado.

— Eu sou tipo. Tipo. Sou tipo uma granada, mãe. Eu sou uma granada e, em algum momento, vou explodir, e gostaria de diminuir a quantidade de vítimas, tá?
Meu pai inclinou a cabeça um pouquinho para o lado, como se fosse um cachorrinho que acabou de ser repreendido.
— Eu sou uma granada — repeti. — Só quero ficar longe das pessoas, ler livros, pensar e ficar com vocês dois, porque não há nada que eu possa fazer para não ferir vocês; vocês estão envolvidos demais, por isso me deixem fazer isso, tá? Não estou deprimida. Não preciso sair mais. E não posso ser uma adolescente normal porque sou uma granada.
(Página 95)

Augustus para mim e acredito que para a maioria daqueles que leram o livro, acaba ganhando o posto de melhor personagem, faz o tipo rebelde, mas mantém sempre uma postura de "cavalheiro", extremamente inteligente (como a Hazel), e aficionado por metáforas. Ele tem ótimas tiradas e comentários no decorrer do livro. E ainda temos Isac, o melhor amigo de Augustus, ele também é muito engraçado e a parceria dos dois rende ótimas cenas.

Os pais de Hazel foram responsáveis por algumas das situações mais tristes do livro para mim, a forma com que eles acompanham a trajetória dela pela doença é muito triste, mas por outro lado bem motivador, eles também tem personalidades muito interessantes.

A Narrativa


A escrita de John Green me surpreendeu positivamente, a única obra dele que eu já conhecia era Cidades de Papel e mesmo com várias opiniões negativas eu gostei do livro, portanto eu já tinha reconhecido o  seu talento para escrever, mas em A Culpa é das Estrelas, ele além de manter a qualidade da narrativa fluida, já característica, ainda conseguiu adicionar mais profundidade ao texto, além de arriscar um vocabulário mais culto (Palmas para a tradução, mesmo que eu não tenha lido o livro em inglês, aparentemente a tradução ficou muito boa).

Conclusão


A princípio não tive nenhum interesse em ler esse livro, e isso nem se deve ao fato de eu ter imaginado desde o "BOOM" de A Culpa é das Estrelas, que o livro era superestimado. Sim, eu admito que cheguei a ter preconceito com ele, pensando "Ah é só uma modinha". Mas não foi esse o motivo da minha demora para ler. Eu não me interessei na época do lançamento, por ele se enquadrar nesse (novo?) gênero de Sick Lit (Termo em inglês para representar um tipo de literatura que envolve pessoas com algum tipo de doença física ou mental), confesso também que eu tendo a não gostar de livros que se apoiam 200% no sofrimento humano para fazerem os leitores se sentirem solidários e se apaixonarem pelos coitados dos protagonistas (Acredito que alguns escritores saem "judiando" e até matando personagens "a torto e a direito" porquê já perceberam que isso "causa uma impressão". Não!! O George Martin não se enquadra nesse tipo de escritor para mim rs)

Então, como já tinha lido Cidades de Papel e gostado, comecei a comprar os livros do John Green e completei a coleção. E em um belo dia falei "Ah já que as pessoas nunca vão parar de falar de A Culpa é das Estrelas, é melhor eu ler para não ficar perdido, sem saber o porquê de tanto "bafafá" em cima desse livro... U_U" (rs) E sempre que eu conversava com alguém que tinha lido, eu perguntava se o livro não era "forçado" demais, no que diz respeito a doença. E a resposta era a mesma, "De forma alguma!! Ele não é arrastado no drama, mas também não deixa de ser triste" Então eu dizia"OK", daí comecei a ler...

Li o primeiro capítulo e já queria parar. Acreditando ingenuamente nas pessoas, imaginei que o câncer seria apenas um "tempero" na história, mas é óbvio que uma doença dessas, principalmente no estado em que se encontra a Hazel, não teria como ser abordada de uma forma mais leve.

O motivo de eu querer parar de ler o livro logo no início foi pela densidade do tema, sinceramente, não acho agradável ficar lendo "EM PRIMEIRA PESSOA" alguém com câncer narrar como se sente, só o peso dessa palavra já me incomoda. Mas sim, fora a doença e o sofrimento, eu gostei do livro logo de cara, o que me fez encarar e continuar a leitura. E após esses primeiros capítulos introdutórios e uma pequena fase de adaptação, eu comecei a curtir a leitura, e ainda pude dar umas boas risadas.
E ainda "queimei a língua quanto a parte de pensar que o livro se arrastaria no drama da doença", apesar de a história ser EXTREMAMENTE triste eu ainda senti falta do John Green dramatizar um pouco mais os últimos capítulos, percebi uma certa cautela nele ao abordar "a parte mais triste" da história, sim acredito que poderia ter sido pior.... :-( Enfim, não me arrependi de ter lido, pelo contrário, leitura recomendadíssima!! 

Parabéns John Green você merece todo esse sucesso que está tendo.

Acredito que mesmo que as pessoas não curtam a história, devem reconhecer que ele é um ótimo escritor, realmente possui muito talento com as palavras e sabe construir exímia mente uma narrativa!

Nota

Ok, não estou puxando o saco dos fans de ACEDE com essa nota (rs) e nem sou "O FanBoy" desse tipo de livro, (aceite cara, você gostou haha). Mas é sério agora, eu estou dando para esse livro os 5 Baús completos, não porque eu achei esse o melhor livro do mundo, ou o melhor que eu li na minha vida (não, ele não é tudo isso não) mas porque dentro do gênero que ele se encaixa ele realmente foi muito bom, claro que eu não gostei de tudo, e realmente queria mudar algumas coisas no final do livro. Mas para mim o gênero de Jovens Adultos merece mais livros de qualidade como esse, bem escrito, bem estruturado e que trás uma mensagem legal.

6 comentários:

  1. Oi Juvêncio, assim como você, eu também gostei do livro e eu também não dava muita coisa para ele, mas acabei me surpreendendo muito e chorando também rsrsrs.
    Em minha opinião, esse é melhor livro de John Green, pelo menos dos que li, ainda falta Will&Will e Teorema de Katherine, esse último não é muito bem falado, então nem sei se vou ler.
    Beijos

    blogfalandodelivros.blogspot.com.br

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    1. Obrigado pelo comentário Eva, não é difícil chorar com ACEDE mesmo não haha
      Beijos

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  2. Uau! Adorei seu blog!
    E a resenha ficou ótima! Parabéns! :)

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