quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Entrevista de Stephen King para Rolling Stone

É estou sumido há um tempão do blog e do vlog, mas isso não significa que eu tenha desistido de continuar postando rs, e por isso estou aqui para compartilhar com vocês uma entrevista recente e super interessante da Rolling Stone com o escritor Stephen King.
Vou ressaltar aqui os comentários mais interessantes dele e no final eu deixo o link da entrevista original para quem quiser ler na integra.


O autor da matéria começa falando sobre o local onde mora King e diz que segundo um dos assistentes dele, morar em um lugar bem reservado e longe de grandes centros foi estratégico para manter a privacidade dele, e que Stephen costuma atrair pessoas estranhas (^_^ já era de se imaginar)

“Não podemos ficar em uma rua principal, porque as pessoas iriam nos encontrar”
“E não são pessoas que você vai querer que te encontrem. Ele atrai uma gente bem esquisita.”

Achei muito legal a resposta que ele deu para quando perguntado sobre o motivo de ter como gênero principal o terror. Alguém se identifica com ele quanto ao primeiro filme?
A ampla maioria dos seus livros trata de terror ou do sobrenatural. O que atraiu você a esses temas?Está embutido [em mim]. Só isso. O primeiro filme a que eu assisti na vida era de terror: Bambi. Quando o pequeno cervo é pego em um incêndio florestal, eu fiquei apavorado, mas também em êxtase. Não consigo explicar.

Sem deixar de mostrar "comedidamente" o seu lado "polêmico" (detesto essa palavra, parece muito "jornalismo da Record" para mim, mas tive que usa-la...) ele foi bem direto ao ponto ao defender o gênero de ficção.

Por escrever livros de terror, você entrou em um dos gêneros menos respeitados da ficção.É. Esse é um dos gêneros que ficam do outro lado do muro na comunidade literária, mas o que eu poderia fazer? Era lá que estava a minha atração. Eu adoro D.H. Lawrence. E a poesia de James Dickey, Émile Zola, Steinbeck... Fitzgerald, nem tanto. Hemingway, nem um pouco. Basicamente, Hemingway é um saco. Se as pessoas gostam, maravilha. Mas, se eu me propusesse a escrever daquele jeito, sairia uma coisa vazia e sem vida, porque eu não sou assim. E eu tenho que dizer uma coisa: em certo grau, eu elevei o gênero do terror.
E ele falou até sobre as suas crenças, olha só que entrevista mais completa!!!

Mudando de assunto, você deixou claro com o passar do tempo que ainda acredita em Deus.É. Eu escolhi acreditar em Deus, porque assim as coisas ficam melhores. Você tem um ponto de meditação, uma fonte de força. Eu não pergunto a mim mesmo: “Bom, será que Deus existe ou não existe?” Escolhi acreditar que Deus existe e, portanto, posso dizer: “Deus, não consigo fazer isso sozinho. Me ajude a não beber hoje. Me ajude a não usar drogas hoje”. E isso funciona muito bem para mim.
Ele ainda reforçou os comentários de insatisfação sobre a adaptação de O Iluminado, e disse que achou o filme misógino pela forma como retratou a personagem Wendy Torrance. King também criticou o protagonista, segundo ele, desde a primeira cena percebeu que as coisas não sairiam como o que ele esperava, mas teve que se conter pois Jack Nicholson estava presente.

Ao longo dos anos, você sempre criticou o filme O Iluminado, de Stanley Kubrick. Fica surpreso com o culto construído ao redor do longa? Eu não entendo. Mas há muitas coisas que não entendo. As pessoas obviamente adoram o filme, e não compreendem por que eu não gosto. O livro é quente, o filme é frio; o livro termina com fogo, e o filme, com gelo. No livro, existe um verdadeiro arco em que você vê este sujeito, Jack Torrance, tentando ser bom, mas que, pouco a pouco, vai se tornando maluco. E, quando assisti ao filme, Jack era louco desde a primeira cena. Tive que ficar com a boca fechada na época. Era uma exibição antecipada, e Jack Nicholson estava presente. Mas fiquei pensando comigo mesmo, no momento em que ele apareceu na tela: “Ah, eu conheço esse cara. Eu já o vi em cinco filmes de motoqueiro, em que Jack Nicholson fazia o mesmo papel”. E é tão misógino. Quero dizer, Wendy Torrance simplesmente é apresentada como uma dona de casa que não para de berrar. Mas essa é só a minha opinião, é só o jeito como eu sou.

E para encerrar os meus comentários (e a postagem) com chave de ouro eu não poderia deixar de citar dentre todas as respostas dele  uma das que eu mais gostei (e me identifiquei), onde ele demonstra o seu lado mais humilde, e verdadeiramente inspirador, falando sobre a sua fortuna. Deu até vontade de imprimir essa resposta e pendurar em um quadro, ele praticamente me definiu, só que sem a parte do dinheiro haha. 

Você fez uma fortuna ao longo dos anos. Muita gente estaria aproveitando, comprando casa no sul da França, enchendo o lugar com obras de Picasso. Obviamente, isso não é para você. Como você aproveita seu dinheiro? Eu gosto de ter dinheiro para comprar livros e assistir a filmes, comprar música e coisas assim. Para mim, a melhor coisa do mundo é fazer o download de séries de TV no iTunes, porque lá não há comerciais; se eu fosse um trabalhador comum, jamais teria dinheiro para isso. Mas eu nem penso em dinheiro. Tenho duas coisas maravilhosas na vida: não sinto dor e não tenho dívidas. Dinheiro significa que eu posso sustentar minha família e continuar fazendo o que eu amo. Não existe muita gente neste mundo que pode dizer isso, e não há muitos escritores que possam dizer isso. Eu não ligo para roupas. Não ligo para barcos. Nós temos uma casa na Flórida, mas moramos no Maine, caramba. Não é uma comunidade da moda nem nada. Temos as casas e tal – minha mulher gosta disso tudo, mas eu não me interesso muito por coisas. Gosto de carros, porque fui criado no interior e ter um carro era importante. Então, temos mais carros do que precisamos, mas esta é a nossa maior extravagância.
"Respect"

Agora, depois de ler esses "melhores momentos" (selecionados por mim rs) eu aconselho a todos que leiam a entrevista na íntegra, é só clicar na imagem abaixo.

 Leia a entrevista na íntegra!

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